Olá pessoas!
Desculpem o tamanhão desse post, mas é q estou colocando um texto q escrevi sobre o desarmamento e embaixo a opinião mais sensata q já li até o momento, por isso, gostaria q todos lessem e se quiserem dar opinião podem deixar o comentário aqui ou ir até o site do 36 para fomentar a discussão:
http://www.artigo36.com/colunas/cris/colunas_cris.htmObrigada aos q tiverem paciência e consciência de ler.
CRIS.
EU VOTO 3 E DIGO NÃO À ESSA A PALHAÇADA!!!
Já perceberam que onde quer se vá nessas últimas semanas só se fala em um asssunto?
Você vai votar SIM ou NÃO?
Vou ser curta e grossa nesse texto. Sabe qual a minha opinião?
Acho esse referendo uma tremenda de uma palhaçada!!!
Será que ninguém percebeu que nem o SIM, nem o NÃO, não vão acabar nem diminuir com droga de violência nenhuma?
Tudo bem, até concordo que o SIM pode (não sei se vai) diminuir o número de homicídios passionais, acidentais, etc. Mas pode aparecer uma praga ainda maior: o tráfico de armas, mais uma fonte de dinheiro para os marginais.
Vamos analisar agora o NÃO. Você vai continuar correndo o risco de morrer (e sua família também) vítima de sua própria arma, roubada pelo bandido, ou na hora em que ele entrar em sua casa e você utilizar de sua legítima defesa, veremos uma linda cena de“bangue-bangue”sem precisar ir no cinema.
Até o momento, não tem nenhum argumento, nem do SIM, nem do NÃO, que me convenceram que após o referendo poderei andar mais tranquila pelas ruas.
Por favor, né... depois sou eu que acredito em conto de fadas!
Não precisa ser muito esperto para perceber que até uns meses atrás estava todo mundo revoltado com o governo Lula, sua popularidade cada dia caindo mais. Falava-se em mil investigações em vários setores da Administração Pública, inclusive nos governos e eleições passadas.Cheguei a ouvir até a palavra impeachment.
E agora ??? Você é a favor do SIM ou do NÃO?
O “cala a boca” popular, como sempre que interessa no Brasil, veio na hora certa!
Milhões de reais investidos numa merda (desculpem a expressão, mas é a única que exprime minha revolta) de um referendo que não vai resolver em nada a violência, seja vencedor o SIM ou o NÃO.
Quem sabe poderiam ter investido esses milhões numa campanha de educação para as crianças, explicando as consequências da violência. Utópico? Não mais que o referendo e ainda estariamos educando aqueles que serão o futuro dessa nação.
Milhões de reais jogados fora! Se ainda fosse num país como osEstados Unidos que gasta bilhões de dólares na produção de armas, eu até compreenderia todo esse gasto num referendo - principalmente porque os norte-americanos adoram esse tipo de instrumentodemocrático de participação popular. Mas num país como o nosso (sem sentido pejorativo, pois sou nacionalista até a alma), carente de educação, saúde, emprego...
Na votação de antigamente, com papelzinho, eu escreveria tudo isso lá. Como a votação atual é eletrônica, eu VOTO 3.
Tenho noção de que meu protesto não surtirá efeito algum, mas pelo menos, não eatarei sendo conivente com essa (repito) PALHAÇADA!!!
Desculpem o tom do texto, é porque eu quero mais é que esse“ilustres” representantes do nosso povo que estão por aí vão mais é pra PQP atolados na lama que eles mesmo produziram.
Cristiane Nogueira de Carvalho Ribeiro
Outubro de 2005
Referendo sobre o comércio de armas, no dia 23, tem o mérito de levaro cidadão a pensar politicamente, mas formulação infeliz da perguntatende a desorientar e tornar ineficaz uma eventual proibição
A posse abstrata - RENATO MEZAN
colunista da folha
O referendo sobre o comércio legal de armas de fogo vem suscitandoacaloradas discussões, o que merece ser saudado como positivo: é rarover nossos concidadãos envolvidos desse modo num assunto de interessepúblico, avaliando com tanto empenho os argumentos em favor de cadaposição -em suma, pensando politicamente.
Por outro lado, muitos se perguntam por que um referendo sobre essaquestão, já que ela é apenas parte de um fenômeno muito mais grave: aescalada da violência no Brasil e o morticínio que daí decorre. Foipor se preocuparem com essa situação que os parlamentares aprovaram,em 2003, o Estatuto do Desarmamento, após discussões que searrastaram por seis anos.
E o pomo da discórdia foi precisamente o artigo 35 dessa lei, queproíbe a comercialização de armas de fogo para a população civil,excetuadas algumas categorias elencadas no artigo 6º: praticantes detiro ao alvo, pessoas que vivem em áreas rurais isoladas ou quedependem de suas armas para subsistir, seguranças, quem se sentirameaçado em sua integridade física etc. Os opositores dessa medidabarraram por anos a fio a aprovação da lei, mas finalmente se chegoua um compromisso: a lei passaria, mas o artigo polêmico seriasubmetido ao voto popular.
----Qualquer pessoa desejosa de comprar armas ou munições saberá a quem se dirigir----
Contudo a forma pela qual o referendo está sendo proposto omite tudoisso. Propõem-nos uma pergunta seca: deve-se ou não proibir ocomércio de armas e munições no Brasil? Boa parte da confusão em quemergulhou o debate nasce dessa formulação infeliz, pois não estásendo informado adequadamente aos cidadãos sobre aquilo a respeito doque devem decidir. Assim, misturam-se nas discussões coisascompletamente diferentes: uns focalizam a questão da criminalidade emgeral, para a qual o impedimento de que civis adquiram armas não teráefeito nenhum, e por isso tendem a votar pelo não. Já outros lembramtragédias que nada têm a ver com a bandidagem e, como vêem naproibição um meio de diminuir sua ocorrência, tendem a votar pelosim.
Casos ocultos
O resultado da pergunta mal feita é, em primeiro lugar, ocultar que alei prevê casos em que não vigorará proibição nenhuma e, em segundo,sugerir fortemente uma relação direta de causalidade entre aquantidade de assassinatos e a posse de pistolas ou revólveres: "Dadoque possuir uma arma de fogo torna possível utilizá-la para mataralguém, deve-se ou não etc.". O caráter abstrato dessa supostacausalidade deixa de lado outros motivos que engendram violência ecriminalidade, faz parecerem idênticas situações essencialmentediversas e, para dizê-lo de uma vez, ilude o cidadão, induzindo-o acrer que o controle sobre um aspecto secundário no complexo conjuntode fatores responsáveis pela morte de tantas pessoas contribuirá para minorar a probabilidade de que elas continuem a ocorrer.
Por essa razão, cabe indagar sobre o fundo do problema: caso sejaadotada, a proibição tem ou não boas chances de atingir o seuobjetivo, que é diminuir as mortes causadas por armas de fogo?
Situações essencialmente diversas: o tiro que mata é o último elo deuma complexa cadeia de fatores, e mesmo de várias, que pouco têm aver uma com a outra. A arma na mão de um assaltante que entra numacasa ou aborda alguém em seu carro é uma coisa, na mão de uma criançaque a descobre na gaveta do pai é outra, na mão de um indivíduotomado de fúria ao ficar sabendo que a mulher o traiu ou que o sócioo enganou é uma terceira, assim como são coisas diferentes a ditaarma numa briga de bar, numa vingança premeditada, num tiroteio entretraficantes, numa escaramuça para repelir invasores de terra ou umaonça esfomeada, numa caçada...
A formulação escolhida para a consulta condensa toda essa variedadede situações numa única e abstrata "posse de armas". Boa parte dadiscussão entre as pessoas, na imprensa e na televisão, tem visado adiferenciar novamente aquilo que a pergunta proposta reduziu aomínimo denominador comum. Ouvimos adversários da medida invocar odireito à legítima defesa ou o fato de que os criminosos continuarãoarmados até os dentes: argumentos em si válidos, mas que perdem devista o que se está de fato discutindo.
Já os defensores do "sim" invocam os acidentes domésticos, astragédias que poderiam ter sido evitadas se não houvesse uma pistolaà mão, o risco muito palpável de um bandido desarmar quem porta umagarrucha e a usar contra seu proprietário etc. Cada uma dessasafirmações é verdadeira: mas, por serem todas e sem exceção parciaisem relação ao problema em pauta, não bastam como argumento decisivonem num sentido nem no outro.
O desejo de resolver questões complexas com uma penada é antigo erecorrente na história do Brasil, assim como o costume de editar leisperfeitas no papel e inaplicáveis na realidade, isso se nãoproduzirem efeitos contrários aos que esperava o legislador. É o queacontece, entre outros exemplos, com o código de trânsito: aodeterminar pontuação muito próxima para um atropelamento fatal e parainfrações leves, ele torna na prática inoperante o sistema de pontos,pois após alguns anos seria preciso cassar a carteira de quase todosos motoristas do país.
Efeitos como esses resultam da sistemática desconsideração pelaexeqüibilidade das normas legais e de um fascínio pelo abstrato epelo utópico que parece fazer parte da cultura nacional.
Outra mania tupiniquim -copiar sem crítica o que se faz em países"mais adiantados"- tampouco nos é de grande valia nesse assunto. NaSuíça e em Israel, onde alguns milhões de reservistas são convocadosanualmente para exercícios militares, todos guardam sua própria armaem casa; nem por isso ali são altos os índices de criminalidade. Jáos EUA -onde também é disseminada a posse de armas e em cujoimaginário o arquétipo do cowboy com seu Colt à cintura tem o pesoque se sabe- são uma das nações mais violentas do mundo.
A conclusão que se impõe é que a posse de armas, per se, é poucodeterminante em relação à taxa de assassinatos, a qual depende defatores culturais, econômicos, sociais e psicológicos bem maiscomplexos.
A verdade é que a violência tem muitas causas, e nem sempre as mesmasem cada lugar ou em cada situação. Aqui mesmo no Brasil medidas comoo fechamento dos bares a partir de uma certa hora (em Diadema) ou oativo envolvimento da comunidade, acrescido de um policiamento maiseficiente (no Jardim Ângela) estão tendo êxito notável no controle dacriminalidade.
Além disso, sabemos o que acontece quando se impõe uma norma que umaparcela importante da população não está disposta a acatar: surgeimediatamente um mercado negro, traficantes passam a fornecer oartigo proibido, criam-se redes de corrupção dos fiscais, e os crimesviolentos aumentam em vez de diminuir. Foi o que ocorreu com a LeiSeca nos EUA (que só beneficiou a máfia) e com a hipócrita proibiçãodos jogos de azar pelo governo Dutra (que fez proliferar osbicheiros).
E isso para não falar nas drogas, cuja circulação jamais foi impedidapor ser ilegal; a disputa pelos lucros fantásticos que elasproporcionam, como se sabe, está na raiz de padrões de violência atéhá pouco impensáveis, tanto para os diretamente envolvidos no tráficoquanto para o resto da população (aliás, segundo Millôr Fernandes, embreve será vedado ao Exército servir-se de armas de uso exclusivo dostraficantes).
Sem controle
Da forma como está redigido o artigo sobre o qual os cidadãos devemdeliberar -e insisto: devido à formulação inadequada da pergunta, semsaber sobre o quê- a proibição não atingirá seus objetivos. Sãotantas as exceções, a bem dizer justificadas, que qualquer pessoadesejosa de comprar armas ou munições saberá a quem se dirigir,exatamente como quem quer usar cocaína, maconha ou crack não deixa deo fazer apesar da ilegalidade de tal comércio.
O controle da criminalidade exige medidas de diversas ordens, tantopor parte da população quanto do Estado, segundo as característicasespecíficas de cada região. Outra questão, totalmente diferente, é aposse de armas por civis que não são bandidos: ela é sem dúvidaperigosa para quem as detém e para inocentes que estejam por perto,de onde serem necessários controles rigorosos sobre sua venda e seuporte (pelo Estado) mas também sobre sua conservação e armazenamento(por seu possuidor). Haveria muito menos acidentes e crimes porimpulso em lugares públicos se se tomassem medidas para impedir gentearmada de entrar neles; e sempre convém lembrar que uma em cada duaspessoas que reagem a um assalto tentando utilizar sua arma acabamorta.
Infelizmente, o referendo não está contemplando com realismo asdiferentes situações envolvendo armas de fogo. Por essas razões, eembora não pretenda jamais adquirir uma, sinto-me inclinado a votar"não". Mas preferia ter sido chamado a opinar sobre uma questão maisbem formulada -pois, ao que tudo indica, a votação de 23 de outubroserá mais uma dessas iniciativas com a qual ou sem a qual a situaçãopermanece tal e qual.
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Renato Mezan é psicanalista, professor titular da PontifíciaUniversidade Católica (PUC-SP), coordenador da revista "Percurso" eautor de "A Sombra de Don Juan" (Casa do Psicólogo), entre outroslivros.